The extra in the ordinary

By Catarina Guimarães

Bringing creativity back ~ Ressuscitar a criatividade

2 Comments

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(Works of art from when I was 6 years old ~ Obras de arte que fiz quando tinha 6 anos)

(Please scroll down for english version)

Todas as crianças são artistas. O problema é como permanecer um artista quando se cresce.” Pablo Picasso

Andava com este tema na minha cabeça há já algum tempo e enquanto não me decidia se devia escrever sobre isto ou não, abri um livro antigo e lá estava:
“O nosso lado infantil é o nível mais profundo do nosso ser. É quem nós somos realmente e aquilo que é real não desaparece. A verdade não deixa de ser a verdade só porque não estamos a olhar para ela. O amor fica somente coberto de nuvens ou rodeado por brumas mentais”
Marianne Williamson (Regresso ao amor)

Foi uma coincidência daquelas que mais parece um sinal e achei melhor começar mesmo a escrever e deixar de adiar este assunto. ;)

Quando pensam nos aspectos mais positivos da vossa infância, o que é que vos vem logo à cabeça? Para mim é a criatividade. Sempre fui muito criativa, provavelmente porque fui obrigada a desenvolver essa característica desde cedo. Sou filha única e fui uma criança muito tímida e medrosa. Grande parte da minha infância foi passada a brincar sozinha em casa.
Por outro lado, também devo ter imitado o exemplo da minha mãe que sempre foi muito dada a trabalhos manuais, tanto por talento como por necessidade. Quando o dinheiro não abundava ela tinha que improvisar e fazer muitas coisas que não podíamos comprar.

Lembro-me bem das carradas de personagens imaginárias que acompanhavam o meu dia-a-dia e que iam comigo para todo o lado. E assim fui crescendo entregue à minha imaginação, pintando, desenhando, moldando, colando, enfim…criando. E adorava! A verdade é mesmo essa. Como nunca tive grande capacidade para comunicar oralmente, usava a criatividade como forma para me expressar e era uma maneira de me relacionar com o mundo. E lembro-me bem como retirava imenso prazer com cada rabisco, cada boneco de plasticina ou o que quer que andasse a fazer. Era um escape mas também era algo que me obrigada a entregar-me ao agora, sem me preocupar com o antes ou o depois. Era libertador!

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Mas depois, algures na viagem, perdi esse hábito. Parece que me deixei convencer que isso era coisa de crianças e que não cabe na vida de alguém que se quer responsável e sério. Aconteceu na mesma altura em que comecei a sofrer de perfeccionismo crónico e de comparação sistemática. Mas ser criativo é uma maneira de estar na vida e por muito que me tente esquecer dessa minha faceta, ela continua a perseguir-me e toda essa energia bloqueada acaba por criar mais um conflito interno. Ser criativo tem que ser compatível com crescer, mesmo que não seja o objectivo da nossa profissão. É isso que me tenho vindo a questionar nos últimos tempos.
Não me conseguia lembrar da última vez que tinha criado alguma coisa fora do meu trabalho de actriz!
E apesar de continuar a ser uma pessoa extremamente criativa, canalizava tudo para o trabalho e para o dever. Já não havia espaço para errar, criar por puro divertimento sem qualquer expectativa de resultado. Criar única e exclusivamente como expressão da minha essência.

Quando foi a última vez que pintei? Provavelmente no liceu (final dos anos 90!) para algum trabalho de uma qualquer disciplina. Desde essa altura não fiz nem um rabisco. E porquê?! Porque de repente deixei de fazer coisas porque me davam prazer e passei a fazer coisas para obter algum resultado que não podia ser menos que perfeito, caso contrário era uma perda de tempo. Mas agora ando a libertar-me dessa crença e quero mandar o perfeccionismo dar uma grande volta! Cada vez que penso como ele me tem inibido ao longo destes anos todos!

Ainda ontem li isto num site que adoro e é uma bomba repleta de verdade que precisava mesmo de ler:
“O perfeccionismo não é uma busca pelo melhor. É um perseguir do pior que há em nós, a parte que nos diz que nada do que alguma vez fizermos será bom o suficiente – que devíamos tentar outra vez. Não. Não devíamos.”
Julia Cameron (The Artist’s Way)

Por isso estou determinada a libertar-me desta prisão de vez e a voltar a expressar-me livremente desenhando, rabiscando, pintando, cantando, dançando, cozinhando (o que seja!) porque faz parte da minha natureza! É nessas alturas que me sinto mais em contacto com a minha essência, em que tudo acaba por fazer sentido e recupero o meu lugar neste cosmos. E sim, provavelmente não tenho grande jeito para fazer muitas das coisas que adoro fazer mas isso não pode ser um entrave. Se isso nunca foi um problema quando era criança porque deixaria que fosse agora? Afinal, é a brincar por puro prazer e sem objectivos que aprendemos a relaxar o suficiente para dar espaço à criatividade que existe em nós.

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Desafio-vos a fazerem o mesmo! Pensem bem no que adoravam fazer quando eram miúdos e que já não fazem por medo de não serem bons o suficiente ou medo de serem julgados por isso. Será cantar? Fotografar? Dançar? Tocar um instrumento? Fazer crochet? Jardinar? Escrever? Pensem bem nisso. De certeza que há pelo menos uma coisinha. Dediquem meia hora por dia a ressuscitar esse sentimento. Desliguem o telemóvel e ponham um despertador, se for necessário. Só podem desistir depois de 30 minutos a tentar. Essa meia hora tem que ser prioritária! Mergulhem na vossa infância e na capacidade de se expressarem criativamente. Não se lembram de nada? Então pratiquem a criatividade para que ela se multiplique e talvez comece a surgir o que ficou enterrado nas memórias de infância. Quanto mais praticamos mais aumenta e nunca se esgotará.

Experimentem criar algo do início ao fim e não usem só as mãos, usem tudo o que são. Deixem-se fluir e vão improvisando sem se tentarem antecipar ao medo. Façam qualquer coisa para vocês, para oferecer a um amigo ou para vender e angariar fundos para aquele projecto que vos persegue. Sem ideias? Olhem à volta e procurem objectos aí em casa que estão velhos, estragados ou fora de moda. Pintem, transformem, reciclem!
Vão ver que é maravilhoso ser o autor de algo concreto e não se critiquem se o resultado for pouco brilhante.

A criatividade ajuda-nos a sedimentar a nossa identidade e isso é demasiado enriquecedor para ser negligenciado. Não somos perfeitos? Então porque não assumi-lo? Sou desafinada mas adoro cantar. E depois?! De certeza que os vizinhos me perdoam! Foquemo-nos no que nos torna únicos e no que temos de original para oferecer e não naquilo que nos falta para sermos tão bons como os outros. A ordem agora é desfrutar do momento, do presente, da acção de criar. É isso que tenho feito nos últimos dias em vários mini-projectos que vos mostro aqui nestas fotos.
Sem perfeccionismo, sem expectativas, com muita humildade e diversão!
E agora, deitem mãos (e alma!) à obra e contem-me como corre.

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English:

“Every child is an artist. The problem is how to remain an artist once we grow up.” – Pablo Picasso

I had been thinking about this subject a lot lately and I couldn’t decide if I should write about it or not. And then I picked up an old book and there it was:
“Our childlike self is the deepest level of our being. It is who we really are and what’is real doesn’t go away. The truth doesn’t stop being the truth just because we’re not looking at it. Love merely becomes clouded over, or surrounded by mental mists.” Marianne Wiliamson (A return to love)

It was such a coincidence that I took it as a sign and felt I should really stop procrastinating and get it done right away. ;)

What comes to your mind when you think about the positive aspects of your childhood? For me it’s creativity. I’ve always been really creative, probably because growing up as an only child pushed me into developing that caracteristic of mine very early on. Not only that but I was a very shy and fearful child. Much of my childhood was spent playing alone at home.
On the other hand I probably followed my mother’s example. She was always a very crafty person, both by talent and necessity. When money wasn’t abundant she ended up making a lot of things we needed but couldn’t afford.

I remember so well the dozens of imaginary chatacters that populated my daily life and went with me everywhere. And so I grew up dedicated to imagination, painting, drawing, sculpting, well…creating. And I loved it! That’s the thruth, actually.
As I wasn’t very talented at oral communication I used my creativity to relate to the rest of the world. And I remember how much pleasure I took from every single doodling, play doh figure or whatever I was doing at any given time. It was an escapism but it also made me conect to the moment without worrying about what came before or after. It was liberating!

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But somewhere along this journey I lost that habit. It seems I convinced myself that it was childish and it couldn’t be a part of my life as I was trying so hard to become a responsible and serious grown up. It happened at the same time I started suffering from chronic perfectionism and systematic comparison.
But being creative is a way of life and no matter how much I tried to forget about that side of me it keeps chasing me and all that blocked energy ends up building yet another internal conflict. Being creative has to be compatible with growing up even if it’s not the purpose of our chosen profession. That’s what has been in my mind lately.

I couldn’t even remember the last time I had created anything apart from my work as an actress! And although I remained a highly creative individual, I would pour it only in my work and duty. There wasn’t any space left for mistakes or for creating as a means to have fun without the expectation of a certain result, creating exclusively as an expression of my essence.
When was the last time I painted? Probably during highschool (late 90s!) for some school project. I haven’t drawn one single doodle since then. And why not?! Because suddenly I stoped doing things that gave me pleasure and started doing things to get a certain result that couldn’t be less than perfect.
Otherwise it would be a totally waste of time. Now I want to set myself free from that belief and I’m going to ditch perfectionism for good! I can’t believe how it has inhibited me so many times over the years!

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I read this yesterday on a site I truly love and it’s a huge truth bomb and exactly what I needed:
“Perfectionism is not a quest for the best. It is a pursuit of the worst in ourselves, the part that tells us that nothing we do will ever be good enough – that we should try again. No. We should not.” Julia Cameron (The Artist’s Way)

Therefore I’m determined to release myself from these chains for good and go back to freely expressing myself by drawing, dancing, cooking, (whatever!) because it is my nature! It’s when I feel more in contact with my own essence, when everything makes sense and I recover my place in this cosmos.
And yes, I probably don’t have much talent to do a lot of the things I love doing but that shouldn’t stop me. If it was never an issue when I was a kid, why should it be now? After all, it’s by playing for pure joy and without an agenda that we relax just enough to let the creativity that already
exists in us grow.

I challenge you to do the same! Think about what you loved doing as a child but stopped because you feared you weren’t good enough or feared you would be judged. Is it singing? Taking photographs? Dancing? Knitting? Playing an instrument? Gardening? Writing? Really think about it. I’m sure there’s at least one little thing. Dedicate half an hour everyday to ressuscitate that feeling. Turn off your phone and set an alarm clock, if needed. You can’t give up before you’ve spent 30 minutes on it. Make it a daily priority! Dive deep into your childhood and your hability to express yourself creatively.
Can’t think of anything? Just practice being creative and it will grow from there, bringing the buried memories with it. Creativity gets multiplied when practised and if you do that, it will never go extinct.
Try building something from scratch with your hands and pour into it everything that you are. Allow yourself to flow and improvise along the way without trying to antecipate the fear. Make something for yourself, a present for a friend, something to sell and fund that project that you can’t let go of. No ideas? Look around and search for objects that are old, broken or outdated. Paint, recycle, transform!You’ll see it’s a wonderful feeling to be the author of something concrete and don’t critize yourself if the outcome is less than stellar.

Creativity helps us define our identities and that’s way to precious to be neglected. So we aren’t perfect? Why not own that? Yes, I love singing and I do it off key. So what?! I’m sure my neighbours will forgive me! Bring the focus from what we’re lacking in talent to what makes us unique, original and what we have to offer. The order is to enjoy the present moment, the very action of creating.
That’s exactly what I’ve been doing these last days with several mini-projects that you can see in these photos. No perfectionism, no expectations, lots of humility and fun!
So, get to it (hands and soul!) and let me know how it goes.

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2 thoughts on “Bringing creativity back ~ Ressuscitar a criatividade

  1. Gostei muito deste post, especialmente da tua forma de escrever :-)
    Eu gostava imenso de escrever (histórias mesmo, texto livre, sem ser por obrigação) e de fazer arraiolos que aprendi com a minha avó.

    • Obrigada Catarina! Eu também escrevia imenso mas desabituei-me e agora é tão difícil! Parece que é tudo saído a ferros, as palavras não fluem como antes :/ tem sido complicado voltar a encontrar a minha “voz” mas com a prática vai melhorando a pouco e pouco. É continuar e, por muito pobre que me pareçam os textos, insistir neles em vez de os evitar. ;) muitos beijinhos

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