The extra in the ordinary

By Catarina Guimarães

Courage + Chocolate raw ice cream with almond butter ~ Coragem + Gelado cru de manteiga de amêndoas e chocolate

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(Please scroll down for english version)

Desde o meu último post, as palavras que escrevi têm andado a marinar na minha cabeça. Palavras sobre adiar a partilha do que tenho para contar por sentir receio relacionado com essa acção tão nova para mim. Reconheço que por vezes o medo de ser julgada ou incompreendida se apodera de mim e dispersa a minha energia e a minha atenção de tal modo que me vejo bloqueada e incapaz de agir.
No dia seguinte dei por mim a abrir um livro que andei a ler no início do ano e fui parar a uma página onde a autora fala do papel que as nossas acções têm na co-criação da nossa vida e também sobre a falta do hábito de agir:

“Na verdade, a inércia é uma atitude que deixa sequelas no seu agente e na comunidade, porquanto a decisão de não agir é uma decisão activa de manter o estado das coisas. Omitir uma acção quando ela é necessária é negar-se a posição de interventor no mundo, e permitir a desestruturação por ausência” ~ Susana Cor de Rosa (Quem somos nós)

Fiquei a matutar nisto durante a noite toda. Faz todo o sentido. Adiar a acção ou evitá-la de todo é uma escolha pessoal clara que me alinha com uma energia e uma realidade com as quais não me identifico. Daí a confusão que se instala dentro de mim como se tivesse centenas de fiozinhos a nascer no meu estômago e cada um é puxado numa direcção diferente, porque nessas alturas o que desejo é o oposto daquilo que faço.

Ficou claro para mim que tenho que praticar o acto de agir puro e simples, sem ponderar primeiro milhentas vezes sobre cada pormenorzinho. Desde miúda que tenho fama de ter mau feitio e de reagir de cabeça quente e por isso mesmo andei anos a tentar abrandar o meu processo de decisão para ter a certeza que fazia o “correcto”. Ou seja, para ter a certeza que ninguém se zangava comigo por causa das minhas decisões. Mas como já aprendi há muito tempo, há sempre alguém que não fica contente connosco, independentemente de tentarmos fazer tudo para agradar. Mais vale agir seguindo apenas o que nos indica o coração, independentemente do resultado. Assim ao menos ficamos com a paz de espírito intacta.

Foi com isto em mente que me sentei na cama para fazer a minha meditação antes de ir dormir e quando acabei reparei que tinha nascido uma nova pergunta na cabeça: quando é que foi a última vez que fui corajosa? Sim, corajosa! Não estou a falar de actos heróicos ou extremos como salvar alguém de um prédio em chamas ou fazer bungee jumping (mas está na minha lista! – o bungee jumping, não meter-me no meio de fogo) mas falo de agir única e exclusivamente de acordo com o que aquela vozinha interior nos diz, sem racionalizar cada detalhe, sem tentar calcular as consequências, sem haver apego com resultados, expectativas, a necessidade de controlo. Fazer só porque é o que ressoa no nosso coração e faz sentido. Só porque sim. Quando? Quando? Conseguem lembrar-se? A coragem é um daqueles “músculos” que muita gente não exercita tanto quanto gostaria e eu incluo-me nesse grupo. Mas como ser mais corajosa? Como deixar o medo de vez? Como florescer no meio da insegurança? Como?

Mesmo antes de ir dormir peguei no telemóvel e fui parar ao Instagram (o meu método preferido de procrastinar!) e de repente perdi-me por lá e percebi que havia uma qualquer energia que me atraía até às fotos de uma total desconhecida e garanto que ainda agora não vos consigo explicar como lá fui parar. Estas almas que nos chamam do outro lado do planeta sem sequer se aperceberem disso – e lá estava, numa foto bem mundana, mais um livro caído do céu na hora certa – “Coragem, a alegria de viver perigosamente” de Osho. Pimba!
“Deseja mais alguma coisa, Catarina?” É esta a frase que ouço dentro de mim nestas alturas. ;)
Por isso na manhã seguinte fui à biblioteca municipal assim que acordei (nada de adiar desta vez!) e fui buscar o livro que lá estava à minha espera.
E o que me ri quando logo nas primeiras páginas li a mensagem exacta que me tinha passado pela cabeça ontem:

“A palavra coragem é muito interessante. Deriva da raiz latina cor, que significa coração. Por isso, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, só os fracos, vivem com a cabeça; medrosos, criam uma segurança de lógica à sua volta.”

“Portanto, não seja hesitante, não se preocupe demasiado com o poder errar. Este é um dos problemas: as pessoas foram ensinadas a nunca fazer nada de errado, e depois tornam-se tão hesitantes, tão medrosas, tão assustadas por errarem, que ficam entaladas. Não se mexem porque pode acontecer algo de errado.”

Lindo, não é? No fundo, no fundo já sabemos todas as respostas que precisamos de saber. Depois de recordar só falta praticar. ;)
E neste momento está alguém a pensar: “Mas a mulher é louca? Que raio tem tudo isto a ver com comida?!” Hehehehe…por acaso até tem tudo a ver. Mas disso vou falar noutro dia porque agora estou cansada e com fome!
Eu vou continuar a trabalhar neste assunto, vou aproveitar para acabar de ler o meu livro e só vou interromper a leitura para devorar este gelado irresistível que partilho aqui convosco porque gosto mesmo muito da vossa companhia!

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Ingredientes:
(Se possível biológicos)
4 bananas congeladas (não comes bananas? Lê isto, por favor).
2 colheres de sopa (ou o suficiente para a máquina triturar) de leite vegetal (usei de amêndoas) ou água
1 colher de sopa de manteiga de amêndoas (sem açúcar adicionado)
1 colher de sopa de alfarroba em pó (ou 1/2 colher de sopa de cacau em pó)
1 pêssego grande (maçãs também resulta bem)
1 colher de sopa com bagas goji

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~ Primeira camada:
Num processador de comida ou liquidificadora, juntar 2 bananas, leite e a manteiga de amêndoa e triturar até resultar numa pasta cremosa. Deitar esta pasta para um frasco e deixá-lo no frigorífico enquanto se faz o resto.
Limpar o aparelho que usaram.
~ Segunda camada:
Triturar as outras 2 bananas, leite e alfarroba até terem uma pasta com a mesma consistência que a anterior. Deitar no mesmo frasco com cuidado.
~ Terceira camada:
Cortar o pêssego (eu deixo ficar a casca) em pedaços pequenos e colocar por cima do gelado, juntamente com as goji.
Comer com uma colher, misturando as várias camadas.

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English:

Since my last post, the words I wrote have been marinating in my mind. Words about postponing sharing all I have to tell because I get fearful when dealing with this action that is so new to me.
I acknowledge that sometimes the fear of being judged or misunderstood takes over me and disperses my energy and focus so much that I become stuck and unable to act.
The day after that I stumbled upon a book I had read at the beginning of the year and opened it on a page where the author writes about the role our actions play in co-creating our life and also about our lack of habit for taking action:

Actually, inertia is an attitude that takes consequence on its’ agent and the community since the decision of not taking action is an active decision to maintain the current state of things. To omit an action when it’s a necessary action is to deny yourself the position of intervener in the world, and allow it to desmantle by absence.” Susana Cor de Rosa (Quem somos nós) – currently available in portuguese only

I was brooding about it all night long. It does make total sense. To postpone an action or completely avoid it is a clear personal choice that aligns me with an energy and reality with wich I don’t identify myself. Hence the confusion that settles within as I start to feel like my stomach is the fountain of hundreds of tiny strings, all pulled in different directions. Because right at that moment what I wish for is the opposite of what I do.

It was clear to me that I have to practice taking action, pure and simple, without first pondering about every single tiny detail.
Every since I was a kid I got a reputation for having a bad temper and being hotheaded so I spent a lot of years trying to slow down my decision making process in order to make sure I always did the “right” thing. And by “right” I mean decisions that wouldn’t cause anyone to be mad at me. But as I have learned a long time ago, there’s always someone mad at you even if you do everything in your power to please them. I might as well just act by following my heart, regardless of the outcome. At least this way my peace of mind stays intact.

This was exactly what I had in my mind as I sat down in my bed for my night meditation and I noticed that at the end of the meditation a new question had surfaced among my thoughts: when was the last time I did something courageous?
Yes, courageous! I don’t mean heroic or extreme actions like saving someone from a burning building or bungee jumping (even though it’s in my list! – the bungee jumping, not running into flames) but I mean taking action by only and exclusively listening to that inner voice, without rationalising every single bit of it, without trying to predict the consequences, without clinging to the result, the expectation, the need to control.
Doing something just because it is what resonates in your heart and makes sense to you. When? When? Can you remember?
Courage is one of those “muscles” most people don’t flex as much as they would like to and I can certainly include myself in that group. But how can one be more courageous? How to let go of fear for once and for all? How to blossom in the midst of insecurity? How?

Right before going to sleep I grabbed my phone and ended up on Instagram (my favorite form of procrastination!) and got a bit lost in there as I started to feel this intense energy atractting me to the photos of a complete stranger and I still can’t explain how I got there. One of those souls that attract us from the other side of the planet without even realising it – and suddenly there it was, in a totally mundane picture, another heaven-sent in perfect timing book: “Courage – the joy of living dangerously” by Osho. Boom!
“Is there anything else you need, Catarina?” Those are the words I hear inside me at moments like this. ;)
So the next morning I went to the public library (no procrastination this time around!) and picked up the book that was right there waiting for me.
You cannot imagine how much I laughed when I saw on the first pages the exact message that had been through my mind the night before:

“The word courage is very interesting. It comes from a Latin root cor, which means heart. So to be courageous means to live with the heart. And weaklings, only weaklings, live with the head; afraid, they create a security of logic around themselves.”

“So don’t be hesitant, don’t worry too much about going wrong. This is one of the problems: people have been taught never to do anything wrong, and then they become so hesitant, so fearful, so frightened of doing wrong that they become stuck. They cannot move, something wrong may happen.”

Beautiful, isn’t it? Deep down, really deep down we already know all the answers we need to know. After we remember it all we have to do is to practice it. ;)
And right about this moment someone is thinking: “But is this woman insane? What the hell has any of this have to do with food?!” Hahahaha…well actually it has everything to do with food. But I’ll write about that some other day because now I’m exausted and hungry.
I’ll keep working on this matter and I’m going to finish reading the book, only stopping to indulge in this amazing ice cream that I decided to share with all of you just because I love your company so damm much!

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Ingredients:
(Organic, if possible)
4 frozen bananas (don’t eat bananas? Please read this)
2 tablespoons (or just enough for your machine to blend) with veggie milk (I used almond milk) or water
1 tablespoon with almond butter (without added sugar)
1 tablespoon with carob powder (or 1/2 tablespoon of raw cacao powder)
1 large peach (works well with apples too)
1 tablespoon with goji berries

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~ First layer:
Put 2 bananas, 1 tablespoon with milk and the almond butter in a blender or food processor and blend until you get a creamy paste. Put it in a jar and place it in the fridge while you do the rest.
Clean the appliance you used.
~ Second layer:
Blend the last 2 bananas, 1 tablespoon with milk and carob until you get a cream similar to the first one. Put it carefully in the same jar.
~ Third layer:
Chop the peach (I always leave the skin) into small pieces and put them on top of the ice cream, adding the goji berries next.
Use a spoon and mix all layers as you eat it.

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