The extra in the ordinary

By Catarina Guimarães

You are not alone + Cauliflower rice and avocado salad ~ Não estás sozinh@ + Salada de abacate e arroz de couve flor

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(Please scroll down for english version)

Na semana passada deixei-vos um textinho sobre coragem rematado com a questão: “o que tem a coragem a ver com comida?”.
Para mim, tudo.

Há sempre muitos amigos (e até desconhecidos) que vêm ter comigo quando decidem mudar os seus hábitos alimentares (e não só) para se tornarem mais saudáveis ou para viverem sem crueldade e um dos grandes problemas com que se deparam é que, de repente, sentem-se sozinhos, incompreendidos, por vezes até ostracizados.

Mudar hábitos como estes significa virar costas a tudo o que se aprendeu e fez durante uma vida inteira, significa ousar ser diferente da família, dos amigos, da maioria da sociedade. Deixar de dar ouvidos a tudo o que nos impingem desde crianças e deixar de fazer algo mesmo que seja “o que toda a gente faz” e substituir isso por seguir o seu próprio instinto, ouvir o corpo e o coração.

Isso, para mim, requer muita coragem. E só quem não passou por isso é que poderá menosprezar essa experiência.

Por isso, mais do que partilhar informação, conselhos ou dicas, eu acabo por dar-lhes um ombro para chorar. Porque às vezes é mesmo isso que uma pessoa precisa.

Muita gente fica com medo de socializar – festas de anos, jantares com amigos, o Natal em família – porque sentem-se como um alvo constante das piadas, julgamentos e críticas dos outros. Por isso, muitos fecham-se em casa e tornam-se solitários, porque acham preferível evitar esse tipo de convívios e celebrações.

Outros continuam a ir mas vão sempre zangados, prontos a reagir a qualquer provocação e acabam por nunca usufruir desses momentos e criam muitos conflitos que podem ter consequências duras nas relações. Isto é mais problemático quando as pessoas que não aceitam o novo “eu” são aquelas que consideramos mais importantes para nós e isso acontece muito.

Quanto mais próximas são as pessoas, mais resistentes podem ser à nossa mudança. Às vezes podem ver isso como uma espécie de traição: “Então tu eras assim desde que eu te conheço e agora mudas e pronto?! Com que direito?! E eu?! Eu não quero mudar e quero que continues igual a mim!”

Não levem a peito as reacções ou comentários das outras pessoas – não é pessoal, acreditem! As pessoas vêem-nos a mudar e reagem à mudança. Resistem, bloqueiam, sentem-se ameaçados. É isso que os faz criticar, dizer mal, etc, etc – é o medo da mudança.

“O novo pode ser perturbador, o novo pode ser indigesto. O novo pode trazer-lhe mais problemas. Terá de mudar e voltar a mudar. E isso parece ser trabalhoso.” Osho (coragem, a alegria de viver perigosamente)

Quando alguém nos ataca, esse ataque normalmente não é por nossa causa, é por causa deles. Nessas alturas lembro-me que eu própria também fui em tempos uma pessoa resistente à mudança. Todos temos processos, ritmos e sensibilidades diferentes e eu sinto que devo respeitar isso. Se o outro não respeita, então o melhor é eu respeitar em dobro. Assim chega para nós dois. ;) E lembro-me sempre desta frase: “o que os outros dizem ou acham de mim não é problema meu, é problema deles.” Não se zanguem, arranjem uma maneira de encontrar paz e sejam felizes por serem corajosos o suficiente para tomarem as vossas próprias decisões.

Se estão a fazer o melhor para a vossa saúde, para o ambiente, para o mundo, encontrem nisso uma fonte inesgotável de felicidade. Mas tenham a certeza que embarcaram nesta nova forma de vida porque ela faz sentido para vocês e não porque querem imitar alguém ou seguir uma moda. Façam o trabalho de casa e estudem o máximo sobre o assunto para estarem seguros do que estão a fazer.

Querem saber o que funciona melhor para mim? Relaxar, desenvolver um sentido de humor apurado, aprender a dizer “não” educadamente e com um sorriso verdadeiro, não perder tempo a dar sermões, não perder tempo a argumentar com quem só quer discutir, perder a vergonha de pedir comida que não está no menu (nos restaurantes) e levar sempre comida comigo para partilhar. É fácil? Não, mas com a prática torna-se uma segunda natureza e tudo começa a correr melhor.

Mas por favor socializem, vão a festas, eventos, convívios porque a vossa presença cheia de saúde, compaixão, alegria e bom humor vai inspirar muito mais pessoas a seguirem o vosso exemplo. Nunca ninguém me inspirou a dar-me sermões paternalistas cheios de fúria, por muita razão que tivessem, mas sou constantemente inspirada por pessoas que pura e simplesmente são abertas aos outros e fiéis a si próprias.

Por vezes não há mesmo maneira de dar volta à questão e a verdade é que isso pode significar libertarmo-nos de algumas relações porque estas chegaram mesmo ao fim. Por muito doloroso que pareça, é para arranjar espaço na nossa vida para novas relações que espelhem esta nossa nova maneira de estar. Encontrar novas pessoas com os mesmos interesses é fundamental e assim vamos criando uma nova tribo com que nos identificamos.
Porque acreditem quando eu vos digo que não estão sozinhos! Longe disso!
Mas primeiro é preciso criar um vazio para poder receber coisas novas.

Estas mudanças radicais podem ser muito confusas e caóticas para algumas pessoas e quando eu me sinto assim, o que me ajuda é voltar ao básico. E para mim isso significa vegetais crus e frutas cruas. Lavados, cortados e pouco mais. Não é preciso artifícios para usufruir destes pequenos milagres da natureza. Daí trazer-vos hoje uma singela e simples saladinha.

Outra coisa que me ajuda a manter a sanidade mental em situações conturbadas são afirmações e aconselho-vos vivamente o livro da Louise Hay “O poder das afirmações
positivas”
(obrigada Isabel!).

Podemos escolher várias afirmações relativas à saúde como:

Mantenho a saúde do meu corpo dando-lhe tudo o que precisa a todos os níveis

Gosto dos alimentos que são melhores para o meu corpo. Amo cada célula do meu corpo

Faço escolhas saudáveis. Eu respeito-me“.

Desafio-vos a escolher uma destas afirmações e repeti-la diariamente durante 28 dias (no mínimo). Quem sabe, algo muda para melhor? ;)
Espero que desfrutem e que se encham de coragem para os próximos capítulos da vossa viagem!

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Ingredientes:
(Se possível, biológicos)
1/2 alface
3 tomates grandes
1 abacate bem maduro
1 cabeça de couve flor
1/3 cup/chávena (1 mão cheia) de couve roxa
Sumo de lima e pimenta preta a gosto.

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Instruções:
Cortar a couve flor em floretes pequenos e pô-los num processador de comida, triturando só 2 ou 3 vezes. Se triturarem de mais fica uma pasta e queremos que fique com a consistência de bagos de arroz.
Cortar os restantes ingredientes como preferirem (deixar o abacate para último para não oxidar) e juntá-los todos numa taça grande.
Eu coloquei primeiro as folhas de alface, depois juntei o arroz de couve flor no centro da taça. Os tomates ficaram à volta da couve flor, com a couve roxa por cima deles. No fim, juntei o abacate cortado em pedaços finos e compridos.
Espremi meio limãozinho por cima da salada e salpiquei com pimenta preta.
Misturar tudo muito bem com uma colher e comer de seguida senão o abacate pode ficar escuro.

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English:

Last week I left you a little text on courage that ended with the question: “what does courage have to do with food?”
To me, everything.

There’s always a lot of friends (and strangers) that come to me when they decide to change their eating habits (and other habits) to become more healthy or to live a cruelty-free life. One of the biggest problems they usually encounter is that, all of a sudden, they feel lonely, misunderstood and even ostracized.

Changing such habits could mean to say goodbye to everything you have known and done in your entire life, it means being different from your family, friends and the majority of society.

It means to stop listening to everything you have been bombarded with since you were a baby, to stop acting in a certain way even if “it’s what everybody does” and to really start to tune in with your body and your heart and to follow your instinct. To me, that takes a lot of courage. And only someone that hasn’t been through that process could dismiss it.

So, sometimes, more than information, tips or advice I just give them a shoulder to cry on. Because there are times when that’s the only thing a person needs.

A lot of people start fearing social events – birthday parties, dinner with friends, the holidays with the family – because they feel like the constant target for other people’s jokes, criticism or judgments. So they choose to stay home alone instead of mingling or celebrating with their loved ones.

Others do socialize but end up getting angry at every gathering, always ready to react to any provocation. They don’t enjoy the event and sometimes fight so much that relationships start falling apart.
This is even a bigger problem when the people that don’t accept the new you are actually the closest people you have. And that happens quite a bit.

The closest someone is to us, the more he/she can resist our change. Sometimes they can even see it as a betrayal: “you were like that every since I met you and one you change? Just like that?! What about me?! I don’t want to change and I want you to stay the same!”

Don’t take other people’s comments or reactions personally – it’s not personal, trust me! People see you change and they react to change. They resist, get blocked, feel threatened. That’s why they criticize, make fun and so on – it’s the fear of change.

“The new may be disturbing, the new may be such that it cannot be digestible. The new may bring some trouble. You will have to shift and reshift yourself. That seems arduous.” Osho (Courage, the joy of living dangerously)

When someone attacks us, the need to attack usually isn’t about us, it’s about them. At moments like that I remind myself that I too was once someone resistent to change.

Everybody has a different process, rythm and sensibility and I feel like I should respect that. If the other person doesn’t respect it, then maybe I should respect it double as much. That way it’s enough for both of us. ;) And I always keep this idea in mind: “what other people think or say about me, is their problem and not mine”.

Don’t get upset, just find a way to make peace with it and be happy for being brave enough to make your own decisions. You are doing what’s best for you, the environment, the planet and that should be a neverending source of true happiness.

But first make sure you have embarked in this journey because it makes sense to you and not because you want to be like someone else or follow some trend. Do your homework and study as much as you can in order to be confident of what you’re doing.

Do you want to know how I make it work for me? Relax, develop a keen sense of humour, learn how to politely say “no” with a true smile, don’t waste your time preaching, don’t waste your time trying to reason with people that only want to fight, stop being ashamed of ordering food that isn’t on the menu (at restaurants) and always bring food with you for sharing. Is it easy? No, but with time and practice it becomes second nature and things start going much more smoothly.

But please socialize, go out to parties, events, get-togethers because your unique presence bursting with joy, health, compassion and good mood will inspire a lot more people to follow in your example. I have never felt inspired by someone arguing in a patronizing and angry way (even if what they were saying was absolytely right) but I have been inspired over and over by people who are completely open to others and true to themselves.

Sometimes you may find that there really is no way around it and that could mean putting an end to certain relationships. You must set yourself free from some people in order to make space for new relationships in your life, as hard as that may sound. You need that space to find new people with whom you’ll share your new found lifestyle. Finding those people you can relate to is fundamental and that’s how we create a tribe. Trust me when I say that you are not alone. Most definitely not alone! But first you may need to create space to wellcome new people in your life.

This chaotic changes may be hard to deal with and when I feel like that, it helps me to get back to basics. And to me, that means raw veggies and fruit. Wash, chop, eat. That’s it. You don’t need a lot of razzle dazzle to enjoy nature’s little miracules. That’s what today I’m bringing you this simple salad recipe.

Another thing that has helped me a lot is positive affirmations. I Love Louise Hay’s book “The power of positive thinking” (thank you Isabel!) where you can choose different affirmations about health like:

I return my body to optimal health by giving it what it needs on every level

“I enjoy the foods that are best for my body. I love every cell of my body

“I make healthy choices. I respect myself”.

I challenge you to pick one affirmation and repeat it daily for 28 days (at least). Maybe something will change? ;)
I hope you enjoy it and recharge yourself with courage for the next episodes of your journey!

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Ingredients:
(Organic if possible)
1/2 lettuce
3 large tomatoes
1 ripe avocado
1 cauliflower head
1/3 cup (1 handful) purple cabbage
Lime juice and black pepper to taste.

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Directions:
Chop the cauliflower into small florets and place it in a food processor. Process only a couple of times or it will become a paste. We want it to get the consistency of rice.
Chop the remaining ingredients (leave the avocado for last so it won’t oxidize) and put everything in a large bowl. I placed the lettuce leaves first, then the cauliflower rice on top, right in the middle. Then I placed the tomatoes around the cauliflower with the purple cabbage on top of the tomatoes. I finished it with long pieces of avocado right on top of everything. I squeezed half of a little lemon and added a pinch of black pepper. Mix everything really well and eat it right away or the avocado may start to get dark.

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