The extra in the ordinary

By Catarina Guimarães

A thank you + Raw carrot cake (nut free!) ~ Um obrigada + Bolo cru de cenoura sem frutos secos

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(Please scroll down for english version)

Obrigada é uma daquelas palavras que tem tendência a perder-se no mundo de hoje. É tão simples, rápida, corriqueira que facilmente se liberta do seu significado e peso.

Grande parte de nós repete esta palavra interminavelmente e mecanicamente durante o dia, todo o dia, todos os dias.

Mas qual é o seu verdadeiro significado? Será que estamos mesmo embebidos em gratidão quando a deixamos escapar dos nossos lábios? Estará mesmo carregada de amor e verdadeiro apreço? Ou será apenas mais um hábito despejado de intenção e sentimento?
Como um mantra oco que serve nada mais do que ser politicamente correcto… Será?

Outros simplesmente perdem completamente o hábito de o dizer. E de o sentir. Quanto menos o dizemos, provavelmente menos o ouvimos também.
Passando pela vida com tantas interações e intercâmbios com tantos outros seres que, de algum modo, se tornaram invisíveis. Não há um obrigada à espera deles por aí…

Pode não parecer relevante para muitos, mas eu gosto de praticar os meus obrigadas.

Cresci aprendendo com os meus medos a esconder-me da vulnerabilidade e algo como expressar o meu apreço era uma ponte para o mundo que raramente construía. Parecia ser demasiado perigoso, por vezes. Abrir essa porta do meu coração poderia ser arriscado e ter consequências que eu poderia não conseguir controlar.

Mas tenho vindo a praticar desde há algum tempo a arte do obrigada sincero.
Quando comecei, tinha que me lembrar constantemente de o dizer e na maior parte das vezes o obrigada chegava tardio, fora de tempo e pouco seguro. Obrigava-me a dizê-lo na mesma, até quando achava que não estava a convencer ninguém da minha intenção. A praticar é que se chega lá.
E eventualmente começou a germinar naturalmente sem grande esforço…

Obrigada é bem mais comum no meu vocabulário actualmente, mesmo quando sinto que o outro jogador desta troca não lhe dará valor ou não precisa de o ouvir. Mas entrego-o na mesma. Não é algo que se possa perder. É algo que só nos dá a ganhar.

Por isso hoje estou aqui para vos dar um grande obrigada do fundo do meu ser.
Obrigada a todos por me visitarem aqui, por lerem as minhas palavras, por despenderem comigo um minuto, uma hora ou um dia.
Obrigada aos silenciosos e aos que me respondem, obrigada aos que gostam do que partilho e aos que não gostam. Obrigada aos que sentem algum tipo de ligação comigo e aos que não ligam absolutamente nada a isso. Obrigada. A todos. Por estarem aqui.

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E como demonstração do meu apreço, vou partilhar convosco a minha receita do meu bolo cru preferido. Não é o bolo mais bonito do mundo mas tem certamente um lugar especial no meu coração (e estômago!).

Já fiz esta receita várias vezes e fica sempre uma delícia. Não tem açúcar nem frutos secos e a única gordura que tem é a do óleo de côco, que é das gorduras mais saudáveis que há e que o nosso organismo precisa.

Por isso, vamos lá comer bolo!

Ingredientes:
(Se possível, biológicos)
2 cups/chávenas de cenoura ralada
1 cup/chávena de amoras brancas secas
1 cup/chávena de tâmaras (sem xaropes adicionados)
1/3 cup/chávena de côco ralado
1 maçã
1 colher de sopa de canela em pó
1/2 colher de chá de noz moscada em pó
Para a cobertura:
1/4 cup/chávena de óleo de côco (extra virgem de pressão a frio)
2 colheres de sopa de xarope de ácer
1 colher de sopa com farinha de côco
1 colher de sopa de sumo de limão
Opcional: 1/2 colher de chá com baunilha em pó

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Instruções:
Deixar as tâmaras de molho durante alguns minutos até ficarem moles e depois retirar os caroços.
Cortar a maçã e retirar as sementes.

Num processador de comida, juntar as amoras, tâmaras, maçã, côco ralado, canela, noz moscada e triturar tudo.
Quando tiverem uma pasta homogénea, deitar numa taça grande.
Ralar as cenouras e depois juntar à taça com a pasta, misturando muito bem.

Deitar esta mistura numa forma pequena (a minha tinha 15 cm de diâmetro) forrada com papel vegetal.
Pressionar com uma espátula para que a massa fique bem compacta e bem distribuída pela forma toda.
Tapar com mais papel e deixar no congelador durante umas 3 horas.

Retirar do congelador antes de fazer a cobertura:
Se o óleo de côco estiver sólido, derretam-no em banho Maria. Juntar ao óleo derretido os restantes ingredientes da cobertura e misturar muito bem. Deixar arrefecer um pouco enquanto retiram o bolo da forma e o colocam num prato.
Depois basta barrar a cobertura usando uma faca em toda a parte de cima do bolo.

Podem decorar o bolo adicionando outras coisas à cobertura, como eu fiz com as bagas goji e côco ralado mas têm que o fazer enquanto a cobertura ainda estiver mole, caso contrário não vai colar.
Deixar o bolo no frigorífico até à hora de servir.

E muito obrigada!

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English:

Thank you are two words that have a tendency to get lost in our world. They’re so simple, quick and mundane that easily end up shedding meaning and weight.

Most of us just repeat them endlessly and mechanically throughout the day, all day, everyday.

But what does it really mean? Do we really feel thankful when those words slip out of our mouth? Are they heavy with love and real apreciation? Is it a habit void of feeling or intention? Like an empty mantra that serves nothing more than being politically correct… Is it?

Others just lose the habit of saying it all together. And feeling it. The less you say it, probably the less you hear it as well.

Going through life with so much interaction and exchanges with other beings that have somehow become invisible. No “thank you” awaits them out there…

It may not seem relevant to many but I like to practice my thank yous.

I grew up with my fears teaching me how to hide from vulnerability and expressing my appreciation was a bridge to the world I hardly ever built.
It felt just so damn dangerous sometimes. Opening that door of my heart could have risky results that I just couldn’t control.

But I’ve been practising the art of honest thank yous for a while now. When I started I had to constantly remind myself of it and most times the thank you came out of me just a bit too late, off timing and not very strong. I made myself say it anyway, even when I felt like I couldn’t really convince anyone that I ment it. Fake it till you make it. And eventually it started naturally sprouting from me…

Thank yous are actually quite common in my vocabulary this days, even when I think that maybe the other player of this little exchange doesn’t value it or even need it. But I give it away, anyway. I won’t be losing it. I’ll be only gaining.

So today I’m here to thank you from the bottom of my being.
Thank you to all of you for stopping by, reading my words, spending a minute, an hour or your day here, with me.
Thank you for the silent ones and the ones that write me back, for the ones that love what I share and for the ones that don’t.
Thank you for those who feel some kind of connection with me and thank you for those who couldn’t care less. Thank you. All of you. For being here.

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And as a token of appreciation I’m sharing my recipe for my favorite raw cake. It’s not the most beautiful cake in the world but it certainly has a special place in my heart (and stomach!). I’ve made it several times now and it’s just so freaking delicious. It has no sugar, no nuts and very little fat that comes from the coconut oil which is the healthy kind of fat that our body needs.

So let’s have cake!

Ingredients:
(Organic if possible)
2 cups of shredded carrots
1 cup of dried mulberries
1 cup of dates (without added syrups)
1/3 cup of desiccated coconut
1 apple
1 tablespoon of cinnamon powder
1/2 teaspoon of nutmeg powder
For the frosting:
1/4 cup of coconut oil (extra virgin, cold pressed)
2 tablespoons of maple syrup
1 tablespoon of coconut flour
1 tablespoon of lemon juice
Optional: 1/2 teaspoon of vanilla powder

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Directions:
Soak the dates for a few minutes until they get soft and deseed them. Chop the apple and deseed it.

In a food processor, blend the dates, mulberries, apple, desiccated coconut, cinnamom and nut meg.
When you get a sticky and even looking paste, put it in a large bowl.
Shred the carrots and add them to that bowl, mixing everything really well.

Pour this batter to a small cake pan (mine had a diameter of 15 cm / 5.9 inches) covered with parchment paper. Use a spatula to press the batter really well and make sure it’s evenly distributed.
Cover it with more parchment paper and pop it in the freezer for at least 3 hours.

Take it out of the freezer before making the frosting:
If it’s cold and your coconut oil is solid, simply melt it using the bain Marie technique (pot over pot). Add every other frosting ingredient to the melted oil and mix very well. Let it cool a bit while you take the cake out of the pan and place it in a plate.
Use a knive to spread the frosting on top of the cake. You may decorate it with some toppings, like I did with the goji berries and some more desiccated coconut. But you must do this while the frosting is still soft, otherwise it won’t stick together. Keep the cake in the fridge until it’s time to serve.

And thank you!

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12 thoughts on “A thank you + Raw carrot cake (nut free!) ~ Um obrigada + Bolo cru de cenoura sem frutos secos

  1. ah!!! aqui está a receita para eu gastar as minhas amoras brancas!! :D
    Parece delicioso!!

  2. Obrigada eu, pela inspiração minha querida ;)

  3. Ainda não consegui encontrar as amoras brancas , no celeiro estão esgostadas , onde poderei encontrar ?

  4. Grata!! ;)

  5. Olá Catarina. continuo a acompanhar este blog e adoro. Mas fiquei intrigada com o facto de me parecer que tenta sempre evitar os frutos secos. Gostaria de perceber as razões, uma vez que é reconhecido que os frutos secos têm alguns benefícios importantes na alimentação, quando consumidos em quantidades moderadas.
    Obrigada. Bjo

  6. porque será que me dá tanto prazer ler este blog??? :)
    deve ser pela gratidão que sinto nas tuas palavras, sempre tão assertivas e que por vezes me encaixam que nem uma luva!
    aproveito para lhe perguntar, se eu usar pasta de tâmaras (que comprei no Celeiro, biológico)qual a quantidade correspondente ao usado na receita?

    muito obrigada

    gratidão

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