The extra in the ordinary

By Catarina Guimarães

What does your perfect day look like? ~ Como seria o vosso dia perfeito?

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(Please scroll down for english version)

Quando mais um ano se encaminha tão rapidamente para o seu fim, parece algo natural olhar para trás e pensar em como foi a minha vida nos últimos 12 meses.
O fim de um ciclo e o início de outro, se possível com menos erros e um pouco mais de luz e coragem para encarar a minha verdade nua e crua.

Esta cadeia de pensamento levou-me de volta à lição mais importante que aprendi em 2014, quando descobri como seria o meu dia perfeito.

Durante a Primavera, após um dia na praia, cheguei a casa e sentia-me tão genuinamente feliz, verdadeiramente a vibrar com boa energia, a sentir-me una com o mundo inteiro, amando todos os seres que conheço e mesmo os que não conheço. Foi tão bom!
Senti-tão em paz e profundamente interligada
.

Mas não me conseguia lembrar de quando tinha sido a última vez que me tinha sentido assim, tão apaixonada pela minha própria pele e com um coração tão quente e expandido, como que a abraçar o mundo com luz.

E após esse episódio, dei por mim a pensar em como tantos de nós (eu incluída) passamos o tempo todo a adiar constantemente decisões, acções, eventos importantes e por aí fora, só porque acreditamos que temos tempo. Adiamos tantas coisas que nos trazem alegria, amor, paz!

É um contraste tão grande comparando com o nosso comportamento quando estamos a viajar – fazemos tudo o que queremos fazer, mesmo que não haja companhia, mesmo que esteja frio, a chover, calor demais, mesmo que estejamos cansados ou preguiçosos, mesmo que saibamos que se calhar não foi a ideia mais prática. Fazemos e pronto – tudo – visitar todos os locais, todas as pessoas, tirar todas as fotografias… Acordamos cedo e só vamos dormir depois de um dia carregadinho até ao máximo.

Porquê? Porque só vamos estar naquele local umas semanitas ou 1 mês ou 2, na melhor das hipóteses. Aproveitamos cada minuto porque sabemos que o nosso tempo é limitado.

Mas sabem que mais?
O nosso tempo é mesmo limitado. Independentemente do que estejamos a fazer ou onde.

O relógio está a contar e a vossa experiência aqui, nesta vida, nesta realidade, nesse corpo, vai acabar um dia. Quanto a isso não há dúvidas!

A única coisa que temos é estar aqui e agora. Tudo o resto ganha-se e perde-se constantemente. Afinal, é essa a essência da vida – a impermanência.

E foi por isso que, depois do tal dia maravilhoso na praia, havia um pensamento que não me saía da mente: eu devia ter mais dias onde me sentisse assim.

Dias em que não me arrependia de nada, dias que valia a pena experienciar. Dias que me faziam sentir que, se morresse no momento seguinte, partiria sem mágoas e com a noção de que tudo tinha valido a pena.

E isso levou a uma sementeira de questões…
O que é que eu faria na vida se o dinheiro não fosse um obstáculo? Se não tivesse obrigações, se pudesse escolher qualquer coisa – como, onde e com quem passaria o meu tempo?
Se tivesse que sair de casa todos os dias, durante o dia todo, onde escolheria ir? Com quem? Para fazer o quê? E com que propósito?

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E, como sempre, a melhor maneira para eu receber uma boa e significativa resposta, é com uma meditação.

Foi uma experiência tão transformadora que vos desafio a fazerem o mesmo.
(E, já agora, não se contentem com a primeira resposta que vos vem à cabeça porque essa provavelmente já foi ensaiada demasiadas vezes. Temos que ir fundo, bem mais fundo.)

Sentei-me, com os pés a tocarem o chão, as costas confortáveis contra o sofá, peito aberto e olhos fechados. E respirei profundamente 5 vezes.

E decidi resumir todas aquelas perguntas numa só:
Como seria o meu dia perfeito?

Continuei a respirar, aberta a tudo o que pudesse aparecer. Tal como quando se vê um filme mas sem julgar ou censurar a história, a realização ou os actores.
E de repente começou tudo surgir como num sonho… Cada detalhe… Eu via e sentia tudo.

E simplesmente, continuei a perguntar:
Como acordo, onde, o que vejo, cheiro, ouço? Como me sinto? Está frio ou calor? O que estou a fazer, o que visto, o que como, o que digo? Estou sozinha ou com alguém? Que tipo de pessoa? Do que falamos? O que decido fazer? Que decisões tomo? E por aí fora…
Percorri toda a manhã, almoço, tarde e tudo o mais até ao fim do dia.
Ser específico é muito importante e foi assim que consegui pintar a minha ideia de 24 horas perfeitas.

E lá estava ele – repleto de cor, cheiros, vozes, caras, céu e sol – o meu dia perfeito.
Um dia que não me importaria de repetir todos os dias até ao fim da minha vida. Desejava-o tanto e fazia tanto sentido que senti mesmo que já o tinha vivido antes e que já ali tinha estado anteriormente.

E, perante o meu espanto, tive que aceitar que o que eu pensei e acreditei durante tantos anos estava longe de ser a minha verdade.

Tinha andado a desejar inconscientemente uma vida completamente diferente daquela que andei a escolher ano após ano. Durante os últimos 15 anos, ou mais, investi e concentrei toda a minha energia numa vida que afinal não fazia vibrar a minha alma, apesar de eu acreditar no contrário.

E isso foi uma constatação aterradora mas, ao mesmo tempo, libertadora.
Significava que me podia desapegar do meu plano.

Libertar o velho para criar espaço para o novo.

Significava que tinha que deixar de tentar controlar tudo e dar um enorme salto de fé e ajustar-me com fluidez e graça aos acontecimentos.

Significava rir-me a alto e bom som de cada vez que apanhasse o meu ego a manipular-me e a torturar-me com o medo, tentando que eu me afaste deste novo caminho.

Significava que tinha que aprender, pela primeira vez na minha vida, a estar disponível para ser guiada. Significava que podia começar a ouvir verdadeiramente tudo o que o universo tinha andado a atirar na minha direcção durante todo este tempo e a conectar-me a um nível mais profundo.

E por muito simples que isso possa parecer, é muito difícil ser simples.
Por isso este ano foi uma espécie de estágio para mim, pelo qual estou muito grata, e mal posso esperar pelos próximos quilómetros deste caminho.

Só o universo saberá como será a viagem mas eu sei exactamente como é o destino. E cum caneco, vale muito a pena!

E também sei sem sombra para dúvidas que os melhores condutores são a alegria e a paz de espírito, que eu tratarei de nutrir, nem que seja só por uns momentos, mas todos os dias sem excepção!

Esta é a minha resolução para o próximo ano.
E a vossa, qual é?

Feliz Ano Novo!

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English:

As another year comes so close to it’s end, it’s almost natural to look back and think about my life for the past 12 months.
The end of one cycle and the beginning of another, hopefully with less mistakes and a bit more light and courage to face my raw truth.

This chain of thinking took me back to my most important lesson learned in 2014, when I discovered what a perfect day is to me.

During the spring, after a day at the beach I got home and I was feeling so genuinely happy, really vibrating with high and good energy, feeling one with the entire world, loving every being I knew and even the ones I didn’t know. It was so good! I felt so at peace and truly connected.

But I couldn’t remember the last time I had felt like that. Loving my own skin and with such a warm an expanded heart, touching the world in a big luminous hug.

And after that I kept thinking about how most of the people I know (me included) spend their days, postponing important decisions, actions, events and so on because we think we have time.

We postpone so much of what brings us joy, love, peace!

It’s such a contrast from when we are travelling – we do everything we have set our minds to do, even if we don’t have company, even if it’s cold, raining, too hot, even if we feel a bit lasy or tired, even if we don’t really know if it’s the most practical plan.

We just do it – everything – visit every place, meet every person, take every picture… We wake up early and go to bed after a really long day, packed to the max.

Why? Because we’re only going to be at this particular location for two weeks, maybe a month or two at most.
We take advantage of every minute because we know our time is limited.

But you know what?
Time really is limited.
No matter where we are or what we are doing.
The clock is ticking and your experience here, in this life, in this reality, in this body, will one day end.
No doubt about that!

All we have is being here right now. Everything else is won and lost constantly. After all, that’s what life is all about – impermanence.

So after my wonderful day at the beach I kept thinking I should really have more days where I felt like that.

Days I didn’t regret at all, days I was so glad to have experienced. Days that made me feel like if I died the next moment, I would die with no regrets and it would have been all worth it.

And that planted so many questions in my mind…
What would I do with my life if money wasn’t an issue? If I had no obligations, if I could choose anything – how, where and with whom would I spend my time? If I had to leave my house everyday for the whole day, where would I choose to spend it? With whom? Doing what? With what purpose?

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And like always, the best way for me to get a good meaningful answer was to meditate.

It was such a transformative experience I want to challenge you to do the same.
(And by the way, don’t settle for the first answer that comes to mind because that one has probably been rehearsed in your head for years. We have to go deeper, so much deeper.)

I sat down, with my feet touching the floor and my back comfortably against the couch, opened my chest, closed my eyes and took 5 deep breaths.

And I decided to put all those questions together in this one:
What does my perfect day look like?

I kept breathing and opening myself to whatever decided to show up.
Just like watching a movie but without judging the script, the directing or the acting.

And suddenly it all started to come to me like in a dream… Every little detail… I saw it and felt it…

And I simply kept asking:
How do I wake up, where, at what time? How do I feel like? What do I hear, what do I see, are there any scents, is it warm or cold? And then what do I do, eat, wear, say? Am I alone or do I have company, what type of people? What do I talk about? What activities do I choose to do? What decisions do I make? And so on…

I went through the whole morning, then lunch, the afternoon and so on…
Being specific is very important and that’s how I started painting in my mind my perfect idea of a whole 24 hours.

And then there it was – full of colours, scents, voices, faces, sky and sun- my perfect day. A day I wouldn’t mind repeating every day for the rest of my life.

I actually wanted it so bad and it made so much sense that it felt like I had lived it before and been there before.

And to my desbelief I had to come to terms that everything I thought and believed for so many years, was not my truth.

I had been unconsciously desiring a totally different life from the one I had been choosing year after year.
For the last 15 years or so, I had been investing and focusing all my energy in a life that didn’t really touch my heart and didn’t make my soul vibrate, even though I believed otherwise.

And that was terrifying but strangely liberating at the same time.
It meant I could let go of my plan.
Let go of the old and make space for the new.

It meant I had to stop trying to control everything and just take a leap of faith and adjust with flow and grace to whatever happened.

It meant laughing out loud everytime I catch my ego trying to manipulate me and torture me with fear, trying to prevent me from taking this road.

It meant I had to learn how to be open for true guidance for the first time in my life. It meant I could really start listening to everything the universe had been throwing my way all this time and connect to it at a soulful level.

And as simple as it may sound, it’s very difficult to be simple.

This last year was a kind of an apprenticeship to me, for which I’m very grateful, and I can’t wait for the next miles on this learning road.
Only the universe knows how the journey will be but I do know what the destination looks and feels like.
Boy, oh boy, it’s so worth it!

And I also know without any doubt that joy and peace of mind are just the best drivers and I’ll take my time nurturing them, even if just a little bit, but every damn day!

That’s my resolution for next year.
What’s yours?

Happy new year!

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One thought on “What does your perfect day look like? ~ Como seria o vosso dia perfeito?

  1. acabamos por não saber (claro que propositadamente da tua parte pois não era essa a intenção do post) como seria o teu dia perfeito :-)

    Não tenho dúvidas que para mim, se não tivesse impedimentos monetários, o que gostaria de fazer era viajar. Viajar pelo mundo, não importa onde, simplesmente conhecer outras pessoas, outros lugares e ir dando assistência jurídica gratuita a quem precisasse, na companhia do Daniel.

    Só me sinto verdadeiramente feliz quando estou a viajar. E se estiver junto de água melhor. Não há melhor sensação que estar debaixo do mar, em completo silêncio, ao pé de toda a vida marinha. único sítio em que sinto verdadeiramente PAZ :-)

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