The extra in the ordinary

By Catarina Guimarães

Choosing feelings over goals ~ Escolher sentimentos em vez de objectivos

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(PLEASE SCROLL DOWN FOR ENGLISH VERSION)

Perdi a conta à quantidade de conversas e desabafos que tocaram no assunto “resoluções de novo ano” nestas últimas semanas.

Se há coisa que aprendi por experiência própria é que muitas vezes (quase sempre?) definimos objectivos e formulamos desejos focando-nos numa situação fixa e estanque à qual adicionamos a nossa expectativa de como nos iremos sentir quando ela acontecer.

E nem sempre somos muito claros ou muito específicos sobre como nos queremos sentir.
Mais vezes ainda não estamos totalmente conscientes das razões que nos levam a querer este ou aquele objectivo. O que nos motiva a querer isto ou aquilo?
Pode ser algo meio confuso, indistinto, emaranhado, pouco palpável.

Então focamos-nos em coisas exteriores a nós próprios, numa situação que nos acontece em vez de algo que podemos experienciar. Algo que possamos formular facilmente como: perder 10 quilos, correr a maratona, ser promovida, arranjar um namorado, mudar de casa, etc.

E, pior ainda, não pensamos que o nosso objectivo pode ser alcançado de maneiras muito diferentes e que não é certo que nos faça sentir como antecipamos. A verdade é que por vezes alcançamos a meta e afinal sentimos o oposto daquilo que esperávamos. Ou chegamos à conclusão que se calhar o que nos movia em direcção a esse desejo não era nada positivo ou construtivo.
E só então aprendemos que nem sempre o que queremos é aquilo que precisamos.

Eu gosto de usar exemplos para me explicar melhor.
Imaginem que temos uma amiga que nos diz que o seu objectivo é ter um filho.
Mas porque é que ela quer ter um filho? Será que ela sabe exactamente porquê? E qual é a expectativa que este objectivo carrega?

Pode ser tanta coisa:
porque acha que assim se vai sentir amada incondicionalmente; porque acha que assim vai salvar o casamento; porque acha que só assim vai ser tão feliz como as amigas todas que já têm filhos; porque acha que nasceu para ser mãe e só então a sua vida fará sentido; porque se sente inferior e desajustada por ser a única da família que ainda não tem filhos; porque é maternal e está apaixonada e o seu instinto lhe diz que é a altura certa; porque tem medo de estar a ficar muito velha e não ter outra oportunidade de ser mãe, etc, etc, etc.

Agora imaginem que ela acredita que só com um filho é que se vai sentir completa e feliz. E a nossa amiga não desiste e consegue o objectivo – passados nove meses, a criança nasce e depois só chora dia e noite, noite e dia, com cólicas, pesadelos, viroses, etc.
Afinal a nossa querida amiga sente-se muito diferente daquilo que tinha antecipado – sente-se miserável, exausta, ansiosa, frágil e isolada do mundo porque a pobre coitada não dorme à semanas e já tentou tudo e não sabe o que mais fazer mas o bebé não pára de chorar!
Mas teve sucesso e alcançou o objectivo! Certo? Certo!

Se a nossa amiga acredita que só quando tiver um bebé no colo é que se vai sentir feliz, então se calhar o que a nossa amiga deseja verdadeiramente é sentir-se aceite, amada incondicionalmente, ligada a algo maior do que ela, deseja carinho, ternura, etc, etc.

Tudo isto são sentimentos que ela pode fazer crescer na sua vida sem ser mãe. O que ela teria que fazer era focar-se nesses sentimentos e olhar para a sua vida aqui e agora, perguntando: o que é que me faz sentir assim? Quando é que eu me sinto assim? Por muito ténues que sejam, esses sentimentos existem dentro dela. E se calhar o que os estimula não tem nada a ver com o que ela imaginava!
Se calhar sente-se assim quando faz bolos para os amigos, quando vai à igreja com a avó, quando vai passear à beira rio, quando dança nua em casa, quando faz voluntariado, quando toca violino…

Depois de identificar o que a faz sentir assim, pode começar a investir cada vez mais do seu tempo e energia a fazer exactamente isso, para alimentar diariamente esses sentimentos tão importantes para ela. E quando começar a respeitar o que a faz sentir bem, a nossa amiga vai começar a perceber que se quer ser aceite, tem que se aceitar a ela própria, se quer ser amada, tem que se amar a ela própria, se quer ser alvo de generosidade, tem que ser generosa, etc, etc.

E podem ter a certeza que isso irá funcionar como um íman que irá trazer para a vida dela mais experiências que irão alimentar ainda mais esses sentimentos.
Começa tudo por nós próprios e só podemos dar o que já temos. E a vida encarrega-se de nos brindar com o que lhe oferecemos.

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Por isso é que eu prefiro focar-me em como me quero sentir em vez de objectivos. E nas minhas motivações.

Quando as motivações ficam claras e são positivas, saudáveis e construtivas, por vezes tenho que ajustar os objectivos porque percebo que afinal “aquilo” não é o que necessito para me proporcionar este ou aquele estado de espírito.

Mas a verdade é que nem sempre sabemos explicar muito bem o que desejamos ser ou o que queremos sentir. Feliz, saudável, com sucesso, rica, amada, etc são conceitos muito vastos e algo abstractos que nem sempre estão claros na nossa cabeça e que podem significar coisas muito diferentes para cada um de nós.

Para me ajudar a definir isso, gosto de esmiuçar esses conceitos e recorro a adjectivos que me ajudam a iluminar o caminho a seguir.

Por exemplo, se eu quero atingir algo que acho que me vai fazer feliz, pergunto: mas feliz como? Exactamente como? E imagino-me a viver esse momento, tal como no exercício que fiz para descobrir como é o meu ideal de vida, o meu dia perfeito.
Como é que eu me sinto fisicamente?
Quais são as cores, as sensações, a vibração da energia, as texturas, os sabores?

Arranjo adjectivos que simbolizem o que sinto, mesmo que não compreenda muito bem de onde estão a surgir e escrevo-os: leve, brilhante, colorido, rápido, energética, acarinhada, pacífica, fluído, suave, excitante, forte, risonha, aberta, expansiva, limpa, transparente, determinada, centrada, corajosa, alegre, conectada, sintonizada, generosa, etc etc.
Depois agrupo estes adjectivos consoante fizer mais sentido e releio-os várias vezes, em voz alta ou voz interior para ver como ressoam em mim. Por vezes levam-me a novos adjectivos que fazem mais sentido.

E por vezes descubro que afinal as palavras que me apareceram não têm muito a ver com o que eu achava que era o meu objectivo, se calhar até o contradizem.

Então agarro-me ainda mais aos adjectivos e escrevo tudo o que me surgir sempre que os leio, digo em voz alta ou penso neles. Às vezes vale a pena fazer isto vários dias seguidos enquanto não estou completamente certa das palavras.

Vão surgindo coisas novas, as cortinas vão caindo e a verdade, aquilo que me faz vibrar, vai começando a aparecer.

Quando já não tenho dúvidas, agrupo os adjectivos consoante o seu significado e procuro o sentimento nuclear que lhes corresponde.
Por exemplo, se calhar para mim as palavras leve, transparente, fluído significam Liberdade; colorido, forte, vibrante significam Coragem ou Determinação; quente, veloz, intenso significam Aventura!
Faço isto até ficar com apenas 3 ou 4 palavras que traduzam verdadeiramente todos aqueles sentimentos que imaginei e que desejo.
Essas palavras são como que as bandeiras que eu vou seguir para chegar ao que quero.

Quando termino e estou em paz com as minhas escolhas, penso onde e quando é que isso existe na minha vida agora e aqui, por muito pequenino e tímido que seja.
Por vezes as respostas são bizarras e nada lógicas, mas são honestas.

E quando descubro essa faísca é exactamente isso que eu tenho que honrar e começar a alimentar diariamente para viver a vida que desejo. Não um dia, mas agora.

No que toca a trabalhar desejos e motivações aconselho-vos o trabalho da Danielle Laporte, que é fabulosa. Partilho aqui este exercício dela que considero muito útil para nos ajudar a ganhar clareza sobre o que desejamos. (Infelizmente está só em inglês). Espero que vos seja útil!

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ENGLISH:

These last few weeks I’ve lost count of how many conversations revolving around “new years resolutions” I’ve had.

If there’s something I’ve learned from my own experience is that most time (almost everytime?) we define goals and make wishes by focusing on a specific and set situation to which we add our expectation of how we are going to feel once it happens.

And we can be very uncertain about how we want to feel. And more often than not we aren’t totally aware of the reasons that push us into this or that goal. What’s our motivation?
It can be so confusing, something so indistinct, intricate, not very palpable.

So we focus on something outside of our selves, a situation that happens to us instead of something we can experience.
Something we can easily sum up in a couple of words like: lose 5 pounds, run the marathon, get a promotion, get a boyfriend, move to a new house and so on.

And even worst, we don’t think that our goal may be reached in very different ways and it’s not certain that it will make us feel how we are antecipating.
The truth is that sometimes we reach the finish line only to find out that it makes us feel the very opposite of what we expected.
Or we come to the conclusion that what was driving us in that direction was actually a very negative and destructive motivation.
And only then we learn that what we want may not be what we need.

I like to use examples to explain myself better.
Let’s imagine that we have a friend that tells us her goal is to have a baby.
Why does she want to have a baby? Does she even know exactly why? What’s the expectation linked to that goal?

It could be so many things:
She wants a baby because she thinks it will make her feel unconditional love; because she thinks it will save her marriage; because she thinks only then she will be as happy as her friends that have babies; because she thinks she was born to be a mother and only then her life will make sense; because she feels an outsider and a loser for being the only one in the family without children; because she is in Love and very motherly and her instinct is telling her it’s the natural next step; because she’s afraid she’s getting old and she might not have another chance again, etc, etc, etc.

Now imagine that our dear friend believes that she will only be whole and happy when she becomes a mother. And 9 months later the baby is born and cries day and night, night and day, over and over, cries because of colics, nightmares and so on.
Our darling friend feels a lot different from what she expected – she is exausted, stressed, miserable, fragile and feels alone because the poor woman hasn’t slept for weeks and she has tried everything but the baby just keeps on crying!
But she was successful in achieving her goal! Right? Right!

If our friend believes that a baby is going to make her happy, than maybe what she really desires is to feel accepted, unconditionally loved, connected to something bigger than herself, maybe she wants to experience affection, endearment and so on.

All of those are feelings she can nurture in her life without becoming a mom. What she would have to do is to focus on those feelings and look at her life right here and right now and ask herself: what makes me feel like that? When do I feel like that?
Those feelings exist in her, even if they are very feeble.
And it could be that what stimulates those feelings in her life have absolutely nothing to do with what she first thought.

Maybe she feels like that when she bakes for her friends, when she goes to church with grandma, when she goes for a walk by the river, when she dances naked in her room, when she works as a volunteer, when she plays the violin…
After identifying what it is that makes her feel that way she can start investing more of her time and energy doing exactly that in order to feed those feelings more and more everyday.

And when she starts respecting what makes her feel good, our sweet friend will start to realise that if she wants to feel accepted, she needs to accept herself, if she wants to feel loved, she needs to love herself, if she wants others to be generous towards her, she must be generous towards everyone first, etc, etc, etc.

You can bet that by living in such a way she will become a magnet for other experiences that will nurture those same feelings even more. It all begins within as we can only give what we have. And then life will make sure we get what we offer.

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That’s why I choose to focus on how I want to feel instead of goals. And on my motivations. When my motivations are clear, positive, healthy and constructive it can force me to adjust my goals because I end up understanding that it won’t necessarily contribute to the feelings I long for.

But the truth is that we don’t always know how to explain what we desire or what and how we want to feel.
Happy, healthy, successful, whealthy and so on can be very abstract and wide concepts that aren’t always that clear and can even mean quite different things to each of us.

To help me define that, I like to break down the concepts by using other adjectives that help me and lead the way for me to follow. For instance, if I’m set on a specific goal that I think will make me feel happy, I ask myself: but happy how? Exactly how do I want to feel? And I imagine myself experiencing that moment, just as I did in my exercise to find out about my ideal life, my perfect day.

How does it make me feel physically?
What are the colors, sensations, the energy vibration, the textures? I come up with adjectives that translate those feelings, even if I’m not exactly sure where they are coming from – and I write them down
:
Light, shiny, colorful, fast, energetic, cherished, peaceful, flowy, soft, exciting, strong, smiley, open, expansive, clean, transparent, determined, centered, brave, joyous, connected, in sync, generous, etc, etc.

After this I arrange the adjectives in groups, in the way it makes more sense to me, I read them many times, aloud and with my inside voice just to see how they resonate with me.
Often they take me to other adjectives that feel right.

And sometimes I find out that the words that came up in my head have little or nothing to do with my goal, sometimes even contradicting it.

So I go back to the adjectives and write down whatever comes to my mind when I read them, say them or think about them. It can be worth it to practice this for a couple of days if I’m still not very sure about the words.
New things start coming up, the masks end up falling and the truth, what really vibrates in me, starts showing up.

When I no longer have doubts about it, I regroup the adjectives according to their meaning and I look for a core feeling that sums up what’s in the paper.
For example, to me, the words light, transparent and flowy mean freedom; colorful, strong and vibrant probably mean courage or determination; hot, fast and intense could mean Adventure.

I do this until I get 3 or 4 words that I’ll use as flags that show me the path I want to walk.

When I finish this and I feel completely at peace with my choices, I think about where and when I find those feelings in my life, even if so softly.
The answers can be bizarre and not very logical, but they are honest answers.
And when I find that spark I choose to honor it and start feeding it daily in order to live the life I desire. Not one day, but today.

When it comes to working with desires and wishes I advise you to check out Danielle Laporte‘s wonderful work. You can see here one of her easy exercises that help us shed some light in what we desire. I hope it’s useful to you!

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2 thoughts on “Choosing feelings over goals ~ Escolher sentimentos em vez de objectivos

  1. Brilhante texto. Amei. Eye opening :-) Obrigado.

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