The extra in the ordinary

By Catarina Guimarães

Raw pad thai + Practicing forgiveness ~ Pad Thai cru + Praticando para perdoar

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(PLEASE SCROLL DOWN FOR ENGLISH VERSION)

“Perdoar nem sempre é fácil. Por vezes, parece mais doloroso do que a ferida sofrida, perdoar aquele que a infligiu. E no entanto, não há paz sem perdão.” Marianne Williamson

Tenho andado a alimentar um verdadeiro romance com mangas e com elas volto a paragens asiáticas, avivando a minha memória a cada dentada. Esta receita transporta-me de volta à Tailândia, mais uma vez. É a minha versão leve e saudável de um prato frito tradicional.

Com estas viagens pus-me a pensar em como a distância física sempre se mostrou minha aliada no que toca a solucionar problemas na minha vida. Sempre.

Bastava-me entrar no aeroporto ou subir para um comboio que ganhava logo nova perspectiva sobre qualquer que fosse o drama que me atormentava no momento. E quantos mais quilómetros ficavam para trás, quanta mais paisagem desfilava pela minha janela, mais fácil e simples a solução para qualquer problema se tornava.

Sim, a distância física e geográfica traz-me distância emocional, espaço vazio para que me possa retirar do centro do furacão e transformar-me em espectadora desse mesmo furacão, recebendo informação e ferramentas necessárias para evitar o desastre. Não há nada que me apazigúe o coração como um oceano de incontáveis toneladas de água entre mim e um drama.

Mas nem sempre é assim. Nem sempre posso apanhar um avião e mudar de continente para conseguir observar a vida de outra perspectiva, outro ângulo, outro meridiano, outro hemisfério. E por vezes, por muita estrada que se percorra, acabamos por nos aperceber que há uma corrente que nos liga a uma âncora, que fica fossilizada no ponto de partida. Por muito longa que seja essa corrente, chega o momento em que o óbvio se apodera de nós – é uma prisão.

Conheço muita gente que, mesmo tendo a possibilidade de se afastarem fisicamente sempre que lhes apetece, arrastam atrás de si as histórias que os prendem ao passado, por muito que se afastem, levam tudo às costas. Como quem leva a almofada quando parte à aventura. Nunca consegui perceber as pessoas que levam a almofada nas viagens. Ou melhor, consigo perceber, mas não percebo! Percebem? Acho tão simbólico! Viajar arrastando os pés em grilhões que não nos permitem realmente viajar, sair do nosso quotidiano, sair da nossa confortável realidade. Por muito que seja má e até já esteja fora de validade, é a nossa confortável realidade. Para mim, isso é a antítese de viajar.

Mas acho que muita da gente que eu conheço dá por si do outro lado do mundo e, em vez de desfrutar da experiência e conseguir deitar abaixo as muralhas que comprimem o seu pequeno mundo, não se conseguem libertar do que carregam e enchem-se de frustração. Há bagagem que temos que deixar para trás, caso contrário não conseguimos avançar.

Muita dessa bagagem carregamos desde o início da viagem por acharmos que é parte essencial da nossa história. Sem ela, sem essa história que repetimos na nossa mente todos os dias, quem seremos nós afinal? Mas a verdade é que ela não nos define, nós identificamo-nos com ela mas é uma opção, um hábito tão antigo como a nossa vida, que acaba por nos limitar. Ver essa velha bagagem pelo que ela simplesmente é – peso que asfixia – acaba por ser uma decisão que não estamos habituados a tomar.

Um dos primeiros passos para lá chegar, para conseguir retirar dessa mala cada peça que já não nos serve nem nos é útil, é perdoar. Os outros, a nós próprios, a história, tudo. Pode ser a coisa mais difícil que se faz na vida, mas depois de o fazer, parece tão simples.

Há uma vida antes e depois do perdão. Nada nunca mais é o mesmo.
Libertar os ombros desse peso é um trabalho interno muito pessoal e que ninguém pode fazer por nós, mas vale a pena, vale mais a pena do que provavelmente qualquer outra coisa e quem ganha somos nós e todos e tudo à nossa volta.

Há um exercício de meditação muito simples que se pode fazer em qualquer lado:
~ Fechar os olhos, controlando a respiração, profunda e lenta, e pensar na pessoa ou situação que nos mantém ancorados no passado e dizer, em voz alta ou interior, eu perdoo-te. Eu perdoo-te.
~ Repetir durante algumas respirações, imaginando o fluxo de ar a abrir carinhosamente as partes do corpo que se manifestem durante o exercício, criando tensão ou dor.
~ Depois, quando conseguirem manter um estado de calma e leveza, imaginem uma lanterna ou uma vela cintilante no vosso peito e encaminhem essa luz para essa pessoa. Em cada expiração, o fluxo de luz aumenta e fica mais forte. Sempre a repetir a frase, eu perdoo-te.

Uns minutos todos os dias faz milagres ~ porque o importante, como em qualquer exercício, é a consistência.

Acreditem, é simples mas não é fácil, mas é um hábito que se constrói dia após dia. E um dia, pode ser para o mês que vem, pode ser daqui a 10 anos, mas um dia ao repetir este exercício diário, vão aperceber-se que conseguem sentir genuinamente o que dizem e que a única coisa que vos invade quando o fazem é uma onda de amor.
E por esse dia vale a pena todo o esforço e trabalho, porque esse é o dia em que nascemos outra vez.

“O verdadeiro perdão não é falta de discernimento nem o produto de pensamento difuso. Nas palavras de Um curso em milagres, é um recordar selectivo. Escolhemos lembrar o amor que experienciámos e desapegarmo-nos do resto que não era mais que ilusão. Isto não nos torna mais vulneráveis à manipulação ou exploração; de facto, torna-nos menos vulneráveis a isso. Porque a mente que perdoa é uma mente mais próxima da sua verdadeira natureza. Eu perdoar-te não significa que ganhaste. Não significa que te safaste. Significa simplesmente que estou livre para voltar para a luz, reclamar a minha paz de espírito e permanecer lá.” Marianne Williamson

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E agora voltamos à viagem culinária…
Esta receita é para 1 pessoa mas se vos parecer pouca quantidade, estejam à vontade para duplicar os ingredientes ou juntar, por exemplo, uma cama de alface por baixo da massa.

Ingredientes:
(Se possível, biológicos)
1 courgette grande
3 cenouras grandes
Opcional: 1 cup/chávena/xícara de cogumelos brancos
Para o molho:
2 cups/chávenas/xícaras de manga cortada
1 cup/chávena/xícara de courgette cortada
2 mãos cheias de cebolinho
2 mãos cheias de erva limeira (ou 1 colher de sopa de erva limeira em pó)
Sumo de 1/2 lima
1 pedaço de gengibre do tamanho de um polegar
Opcional: 2 colheres de sopa de tahini

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Instruções:
~ Utilizar um espiralizador para fazer a massa de courgette e cenoura (eu como com casca). Se não tiverem um espiralizador, podem fazer a massa de courgette com uma mandolina ou ralador de buracos largos, seguindo as indicações desta receita. E podem ralar a cenoura com um ralador. No fim, juntem tudo numa taça grande.

~ coloquem todos os ingredientes para o molho num processador de comida ou liquidificadora potente e triturem até ficar um molho homogéneo, sem pedaços.

~ deitar o molho por cima da massa e misturar tudo muito bem. Se gostarem, juntem os cogumelos cortados em pedaços pequenos.

~ eu gosto de aguardar uns 15 minutos antes de comer para que o esparguete ganhe o sabor do molho. Na minha opinião, não vale a pena deixar no frigorífico porque a comida crua sabe melhor à temperatura ambiente.

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ENGLISH:

“Forgiveness is not always easy. At times, it feels more painful than the wound we suffered, to forgive the one that inflicted it. And yet, there is no peace without forgiveness.” Marianne Williamson

I’ve been nourishing a love affair with mangoes lately and they keep taking me back to Asia, reviving my memory at every bite. This recipe transports me to Thailand, yet again. It’s my light and healthy version of a traditional fried dish.

This traveling got me thinking about how physical distance has always proven to be my ally when it comes to solving problems in my life. Always.

As soon as my feet touched the airport or I got on a train, I would instantly find new perspective about whatever issue that was troubling me at the time. And the more miles I left behind, the more landscape running down my window, the easier it was to find the solution for any problem.

Yes, physical and geographical distance give me emotional distance, empty space that allows me to get out of the eye of the storm and transform myself into a spectator of that storm, available to receive any information or tools necessary to avoid disaster.
Nothing quite settles my heart as knowing there is an ocean made of umcountable amounts of water between myself and a drama.

But it isn’t always so.
I can’t always just catch a plane and move from one continent to another to observe life from a different perspective, another angle, a new meridian, the other hemisphere. And there are times when, not matter how much road we travel, we end up realizing there’s a chain connecting us to an anchor left at our departure point, fossilized.
As long as the chain may be, it becomes obvious it will never be anything but a prison.

It comes to my mind how many people I know that, even though they have the opportunity to get away whenever they want, they keep dragging all the stories that chain them to the past, no matter how far they go. They carry all of it on their shoulders.
Like people that take their pillow when they go on an adventure. I never understood people that take their pillow when travelling. I mean, I get it but I don’t get it! Get it?
It’s so symbolic! Travelling while dragging our feet in shackles that keep us from really travelling, that keep us from getting out of our routine, our little comfortable reality. Even if it’s a really bad one or way past it’s due date, it’s still our little comfortable reality. To me, that’s the antithesis of travelling.

But I know a lot of people that find themselves on the other side of the world and, instead of enjoying the experience and tearing down the walls that compress their world, they just can’t let go of the baggage and start fueling up with frustration. There’s baggage we need to leave behind, or we’ll never be able to move forward.

A lot of that baggage we keep carrying since the beginning of our journey because we believe it’s an essential part of our story. Without it, without this little story we keep telling ourselves everyday, what are we left with? But in truth, that story doesn’t define who we are, we identify with it but it’s a choice, a choice as old as our life that limits us in every way. Choosing to see that ancient baggage for what it truly is – weight that asphyxiates us – ends up being a decision we just aren’t used to make.

One of the first steps to take us there, to the place where we can feel at ease with letting go of every thing that no longer serves us, is to forgive. Ourselves, others, the story, everything. It may be the most difficult thing in life but after it’s done, it seems so simple.

There’s a life before forgiveness and there’s a life after it. Nothing is never the same. Releasing ourselves from all the weight we have been carrying on our shoulders is a personal inside work that no one else can do for us. But it’s worth it, it’s worth it more than probably any other thing and you’ll benefit from it as much as everyone and everything around you.

There’s a very simple meditation exercise we can practice anywhere:
~ close your eyes, controlling your slow and deep breath, and focus on the person or situation that has been keeping you anchored in the past and say, outros or with your inside voice, I forgive you. I forgive you.
~ repeat it for a few breaths, picturing the air you exhale opening gently every part of your body that may manifest itself during the exercise, creating any tension or pain.
~ when you can mantain a state of calm and relaxation, imagine a candle or lantern on the middle of your chest, beaming with light. Visualize that light going straight to the other person. Every exhalation, the flow of light expands and gets stronger. And keep repeating, I forgive you.

A few minutes everyday will work wonders, for it’s all about consistency, as it is with any type of exercise.

Believe me, it’s simple but not an easy work, but it’s a habit we can build day after day. And one day, it could be next month or in 10 years, but one day you’ll notice that you can honestly feel the words you’re saying and the only feeling rushing through you while you say it, is Love. And that day makes it all worthwhile, because that is the day we are born again.

“True forgiveness is not the lack of discernment or the product of fuzzy thinking. In the words of A course in miracles, it is a selective remembering. We chose to remember the love we experienced, and let go of the rest as the illusion it actually was. This doesn’t make us more vulnerable to manipulation or exploitation; in fact, it makes us less so. For the mind that forgives is a mind that is closer to its true nature. The fact that I forgive you doesn’t mean you won. It doesn’t mean you got away with something. It simply means I’m free to go back to the light, reclaim my inner peace and stay there.” Marianne Williamson

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And now we can get back to the culinary tour… This recipe serves 1 person but if you feel it’s not big enough for you, feel free to double the quantity or, for example, add a bed of lettuce under the noodles.

Ingredients:
(Organic, if possible)
1 large zucchini
3 large carrots
Optional: 1 cup of white mushrooms
For the dressing:
2 cups of chopped mango
1 cup of chopped zucchini
2 handfuls of scallions
2 handfuls of lemongrass (or 1 tablespoon of lemongrass powder)
Juice from 1/2 lime
1 piece of ginger (about the size of a thumb)
Optional: 2 tablespoons of tahini

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Directions:
~ use a spiralizer to make the noodles with the zucchini and carrots. If you don’t have a spiralizer, you can you a mandolin or a shredder with large holes to make the zucchini noodles, following the directions on this recipe. And you may simply shred the carrots. When you’re finished, place everything in a large bowl.

~ place all the ingredients for the dressing in a food processor or high speed blender and process until you get an even dressing, without any chunks.

~ pour the dressing on top of the noodles and mix everything very well. If you’re a fan, add the mushrooms, chopped into tiny pieces.

~ I like waiting at least 15 minutes or so before I eat it because the noodles soak up the flavours from the dressing. Leave it at room temperature as raw food usually tastes better when it’s not refrigerated, in my opinion.

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