The extra in the ordinary

By Catarina Guimarães

12 things I’ve learned from yoga ~ 12 coisas que aprendi com o yôga

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(PLEASE SCROLL DOWN FOR ENGLISH VERSION)

A minha relação com o yôga já não é recente e tem sido um pouco como uma montanha russa lenta, cheia de altos e baixos e, apesar de muitos períodos de separação, acabo sempre por voltar. A verdade é que sempre ultrapasso a resistência e que me dedico à prática, a vida fica melhor. Nos últimos anos tenho conseguido ser fiel ao ashtanga vinyasa, apesar de ainda não ter superado a minha tendência para a inconsistência. Por vezes ainda me espanto com tudo o que aprendo sobre mim própria em cada prática e como as lições aprendidas no tapete se aplicam a tantas áreas da minha vida. E fico sempre grata pelo yôga me voltar a lembrar tudo o que teimo em esquecer:

1 ~ O mais difícil é começar. Abrir o tapete, pôr os pés lá em cima e respirar. Fazer o primeiro gesto. Adiamos tanta coisa na vida a pensar que não estamos prontos porque nos falta sempre qualquer coisa. A verdade é que nunca vamos estar mais prontos, nunca o momento será mais perfeito. Começar é ficar pronto. Apartir daí é continuar, fazer um movimento a seguir a outro movimento e continuar a manter o ritmo. Quando damos por ela, já fizemos tudo. E afinal, foi fácil.

2 ~ A única maneira de colher os benefícios de qualquer coisa é praticando. Só quando praticamos constantemente e tornamos algo parte de nós é que permitimos que isso nos transforme positivamente. Não basta ler sobre yoga, há que praticar; não basta ler sobre ser bom pai, há que praticar; não basta pensar em ser optimista, há que praticar…

3 ~ Sou capaz de muito mais do que penso. Quando estico os meu corpo, estico também os meus limites, as minhas crenças e a minha realidade transforma-se. Não tentar é investir na certeza de uma resposta, de um resultado. Eu prefiro um “porque não?” volúvel e fugaz no lugar de um “nem pensar” sólido. Sempre que pensamos que não somos capazes porque somos demasiado isto ou aquilo como demasiado jovens ou velhos, gordos, fracos estamos a deixar que sejam os outros a determinar o nosso potencial e a nossa vida.

4 ~ A comparação com os outros não serve para nada, a não ser para nos paralisar. Olhar para o vizinho e ver o que ele consegue ou não consegue, se é melhor ou pior do que nós, acaba por ser um instrumento de tortura pessoal sem qualquer objectivo produtivo. Nunca conhecemos totalmente a viagem dos outros, de onde vêm, em que estado do caminho estão neste momento, o que já percorreram, os buracos no caminho que tiveram que ultrapassar. Comparar o nosso percurso com o dos outros é um hábito destrutivo que prejudica única e exclusivamente quem compara e julga. Quando o hábito surgir, que tal virar o foco para dentro e compararmos o que somos hoje com o que éramos na nossa meta de partida? Isso sim, vale a pena comparar e celebrar. Porque não desistimos, porque ainda estamos por cá.

5 ~ Desconforto não é o mesmo que dor. O desconforto é algo que vejo como positivo, algo que nasce quando tentamos sair de velhos hábitos, velhas formas que já não nos servem, quando queremos avançar e desbravar o nosso potencial e o nosso ego quer que estejamos quietinhos e sossegados como crianças tímidas que não se atrevem a pedir mais. A dor é destrutiva, é negativa, não ajuda a evoluir, não permite que nada floresça. Mesmo quando aparece disfarçada de amor, a dor bloqueia, impede a evolução, obriga-nos a contrair e a fechar. É um alarme que nos grita para parar e retroceder urgentemente. A dor deve ser evitada mas o desconforto deve ser abraçado. Há que aprender a ouvir o corpo para identificar os dois e perceber as diferenças.

6 ~ A consistência é a chave da evolução. Pouco mas constante é melhor do que muito mas poucas vezes. A repetição cria o hábito que se enraiza nas nossas células e germina por dentro. Um hábito leva-nos a fazer isto ou aquilo sem sequer pensarmos nisso, sem arranjar desculpas para o evitar ou adiar. Adiar é alimentar a resistência e a resistência vem da necessidade do nosso ego em impedir-nos de evoluir. Quando maior é a resistência, mais importante é ultrapassá-la e isso só é possível quando compreendemos de onde ela vem e do poder das nossas escolhas, mesmo as mais insignificantes. Sim, é normal não me conseguir comprometer com hora e meia de prática diária, mas sei que 15 minutos ou até só 5 fazem toda a diferença. Evitar algo nunca é a solução.

7 ~ Confiar no corpo, na sua memória e na sua inteligência própria. A orientação que vem desta fonte é muito mais fidedigna do que a que vem da mente, por muito ilógico que isto possa parecer. Sair das razões da mente e confiar no instinto, na intuição, nas reacções de pele, sempre. E respeitar. Respeitar o ritmo próprio do nosso corpo, a velocidade, a cadência, o crescimento natural. Copiar outra pessoa e tentar ser como ela é uma receita para o desastre, para o acidente, para a desarmonia. Confiar no corpo porque ele sabe o caminho para casa e nunca desiste de o alumiar.

8 ~ Para ser flexível preciso de criar espaço. Por vezes, a única coisa que me impede de agarrar o dedo grande do pé lá ao fundo ou abrir as ancas tanto quanto quero é falta de espaço. Preciso criar espaço relaxando a musculatura, respirando mais profundamente do que parece possível, pressionando mais os bandhas, aumentando a distância entre os discos da coluna. E como posso ser flexível se tenho a cabeça cheia de crenças limitativas e ideias antigas que já não me servem? Como posso ser flexível na minha vida e identidade se tenho a agenda e os dias cheios de compromissos que não gosto e de pessoas com quem não me identifico? Como posso ser flexível se habito num local tão cheio de tralha que nem me permite movimentar à vontade? Como posso ser flexível se tenho tanto ruído à minha volta que nem me deixa usufruir da música? Criar espaço para proporcionar o vazio e para acolher o novo e o melhor. Criar espaço para ser flexível.

9 ~ O importante é o processo e não o objectivo, a viagem e não o destino final. Concentrar no aqui e agora e não na expectativa de um qualquer resultado. Estar preso ao passado ou ao futuro é negar o único tempo onde a felicidade é possível – o agora.
O importante não é executar poses complicadas mas o trabalho invisível, interior. Voltar à fonte, a casa, ao corpo, ao agora. O importante é o conteúdo e não a forma, o importante é a fotografia e não a moldura. Por muito bonita, atraente ou brilhante que ela seja, continua a ser um mero acessório.

10 ~ As emoções são como os gases intestinais ou os espirros – por muito que as tentemos abafar, acabam por vir sempre ao de cima.
Se não queremos lidar com elas à frente de toda a gente, convém ter como prioridade guardar uns momentos diários solitários para trabalhá-las.

11 ~ Como já foi demonstrado em muitos dos pontos anteriores, o ego não contribui para o nosso maior bem. Mas não vale a pena tratá-lo como o inimigo. Mais vale mantê-lo por perto, conhecê-lo bem, aprender a ler as suas estratégias e truques para que consigamos antecipar os seus ataques e manipulações. Domesticá-lo de modo a mostrar que quem manda aqui somos nós e já não nos deixamos levar pelo seu medo e julgamento, que já não vamos nessa velha cantiga. Porque aprendemos a ver o outro como uma extensão de nós próprios e aprendemos que a verdadeira liberdade vem da auto aceitação total e incondicional.

12 ~ Esta serve para tudo na vida:
Se o fizermos a sorrir, é mais fácil.

(As fotografias são do shala da Casa Vinyasa em Lisboa)

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ENGLISH:

My relationship with yoga isn’t a recent endeavor and it has been somewhat like a slow rollercoaster, with lots of ups and downs but, despite some periods of separation, I always end up coming back. The truth is, whenever I get past the resistance and dedicate myself to the practice, life gets better.
For the past few years I’ve been loyal to ashtanga vinyasa, despite not having come to terms with my inconsistency. I still get stunned when I realise how much the practice has taught me about myself and how the lessons I learn on the mat can be applied to so many areas of my life. And I’m always grateful for how yoga keeps reminding me of what I keep forgetting:

1 ~ The most difficult part is to get started. Opening the mat, putting the feet on it, taking the first breath. Making that first gesture. We postpone so much in life because we believe we’re not ready, that there’s something we must do or have before we can get started. The truth is we’ll never be more ready, the moment will never be more perfect. Starting is getting ready. From then on we just have to keep it going, one movement after another, keeping the rythm, flowing. And all of a sudden we realize we’ve done it, we have accomplished it. And it turned out to be easy after all.

2 ~ The only way to benefit from something is to practice it. Only when you constantly practice something and make it a part of yourself, you will allow it to transform you in a positive way. It’s not enough to read about yoga, we must practice it; it’s not enough to read about being a good parent, we must practice it; it’s not enough to think about becoming an optimist, we must practice it…

3 ~ I’m capable of a lot more than I think. When I stretch my body, I also stretch my limits, my beliefs and I shift my reality. Not trying is to invest in the certainty of an answer, of a result. I’d rather have a fleeting and voluble “why not?” than a rock solid “no”. Everytime we believe we’re not capable of something because we are too this or that, too old or too young, too weak or too fat we are allowing other people to determine our own potential and our life.

4 ~ Comparing myself to others is beyond pointless and its only purpose is to paralize me. Looking at my neighbour thinking about what he can or can’t do, if he’s better or worst than me, ends up being an instrument for personal torture with absolutely no positive outcome. We never truly know other people’s journey, where they are coming from, at which stage of their road they are at right now, how far they have come, how many bumps they had to jump over. Comparing our path to someone else’s is a destructive habit that only harms the person behind the judgement. When this habit comes up, why not bringing that focus within and compare ourselves with who we were at our starting point? Now, that’s something worth comparing and celebrating. Because we’re still here, we didn’t give up.

5 ~ Discomfort and pain are not the same. Discomfort is something I see as positive as it shows up when we try to get rid of old habits, get out of old shapes that no longer serve us. When we try to move forward and establish new ground when it comes to potential but our ego wants us to be quite and still like shy little children that don’t dare ask for more. Pain is destructive, negative, it doesn’t nourish evolution, it prevents anything from blossoming. Even when it comes disguised as love, pain creates blocks, keeps us stuck, constricts us and forces us to shut down. It’s an alarm screaming at us to stop and retreat with urgency.
Pain should be avoid but discomfort should be embraced. One must learn how to listen to the body and read the different signs as to distinguish between both.

6 ~ Consistency is the key for evolution. A little bit but often is better than a lot only every once in a while. Repetition creates the habit that grows in our cells and sprouts from within. A habit leads us to do this or that without even thinking about it, without coming up with excuses to avoid it or procrastinate. To procrastinate is to feed the resistance and resistance comes from our ego’s need to prevent us from evolving. The stronger the resistance, the more we must get over it and that will only be possible when we understand where it’s coming from and how powerful our choices are, even the most tiny choices. Yes, I don’t often have the time to practice for one hour and a half every day, but I know even just 15 minutes or 5 will make a difference. Avoiding something is never the answer.

7 ~ Trust your body, trust its memory and its intelligence. The guidance that comes from that source is a lot more trustworthy than the guidance that comes from the mind, as illogical as this may sound. Step out of the reasons of your mind and trust your instinct, your gut, your skin reactions, always. And respect. Respect the rhythm of your body, the speed, the cadence, the natural growth. Copying someone else and trying to be like him/her is a recipe for disaster, for accidents, for disharmony. Trust your body because it knows the way back home and it never fails on lightening it up for us.

8 ~ In order to be flexible I need to create space. Sometimes, the only thing preventing me from grabbing my toes or opening my hips as much as I desire, is lack of space. I need to create space by relaxing my muscles, breathing more deeply than I thought possible, pressing my bandhas even more, increasing the distance between my spine discs. And how can I be flexible if my head is full of limiting beliefs and old ideas that no longer serve me? How can I be flexible about my life and identity if my days and schedule are packed with commitments I don’t enjoy and people I don’t identify myself with? How can I be flexible if my physical space is so cluttered I can’t even move around freely? How can I be flexible if there’s so much noise stopping me from enjoying the music? Create space to allow the emptiness to come and embrace what’s new and better.

9 ~ What’s important is the process and not the goal, the journey and not the destination. To focus in the here and now instead of focusing on the expectation of some result. When we are tied to the past or the future we deny the only time when happiness is possible ~ now. The important thing isn’t to execute complicated poses but the inner, invisible work. To come back to the source, to come back home, to come back to right now. The important thing is the content and not the form, the important thing is the photograph and not the frame. No matter how beautiful, shiny and appealing, it’s still just a mere accessory.

10 ~ Emotions are just like intestinal gas or sneezes – no matter how much you suppress them, eventually they will end up coming out. If you don’t like dealing with it in public, make sure to put some daily alone time on the top of your priority list so you can work on it.

11 ~ As shown in several of the previous points, the ego does not have our best interest in mind. But we might as well not treat it like the enemy. Keep it close, get to know it well, learn to read its tricks and strategies in order to predict the attacks and the manipulation. Tame it in a way that shows we are the ones in charge here and we no longer get carried away by the ego’s fear and judgement, we no longer dance to that old song. Because we have learned to see others as an extension of ourselves and we have learned true freedom comes for total and unconditional self acceptance.

12 ~ This works for everything in life: When you do it smiling, it’s easier.

(The photos are from the yoga shala at Casa Vinyasa in Lisboa)

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4 thoughts on “12 things I’ve learned from yoga ~ 12 coisas que aprendi com o yôga

  1. Like you, I also leave yoga and come back often. Well, to the asanas, anyway. The yoga way of life and the lessons I’ve learned from yoga are always with me. After not having a regular asana practice for a good 10 months or so now, I did my favorite dvd: Yoga Beauty Body last week. It flows so well. And I felt that yoga buzz that you just can’t get anywhere in life. You just go to another place. I’m going to be starting a kundalini yoga class soon.

    Great piece! I really liked how you compared discomfort and pain and talked about the importance of just doing. Everything in life is about doing. Get it out into the world! Even if you’re just writing it on a list, get it out into the physical world!

  2. A sua postagem não poderia ser mais perfeita para mim no dia de hoje. Pratico yoga a 2 anos e compreendo muito bem tudo o que você colocou em seu texto. Parabéns. Vou compartilhá-lo em meu facebook. :)

    http://www.palavrasdestorcidas.com.br

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